quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Apatia

Além do vidro embaçado a chuva cai lentamente, em fluxos contínuos de interminável redenção. As nuvens por si só, permanecem negras e desiguais, protegendo como um manto suave, algo supostamente oculto em superioridade. À medida que gotas gélidas caem sobre superfícies expostas, espaços vazios se permitem preencher com esse precioso líquido incolor. Após preenchidos, excessos se deixam levar por afluentes que se entregam á longos rios com destino incerto...  Quem me dera ser como a chuva, e poder me entregar com liberdade ao desconhecido.  Libertando-me de todo sentimento que outrora me causara dor. Libertando-me de toda melancolia e sonhos que para mim foram como portas à meu insólito abandono. Ao preencher um singular espaço, talvez eu poderia encontrar enfim a razão de minha nobre existência, deixando para trás todos os meus porquês e anseios, estes jamais explicados até então. Enfim, eu permitiria que todos os meus excessos fossem levados por um caminho incerto, ficando em mim apenas o suficiente para que eu pudesse me sentir completo; entregando-me inteiramente à sensação tão esperada porém jamais alcançada... a sensação de não me sentir tão vazio...

Paullo Lenore