sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Masterpiece


Apesar de minha postura abstrata e inconsciente, consigo por hábito visualizar o que me cerca. Ao mesmo tempo em que me deixo levar por movimentos assimétricos de um espaço urbano, sinto a vida se tornar arte. Com uma performance única e intensa, funções motoras se equilibram á altos e baixos, em uma harmonia própria, onde o simples ato de existir serve como razão ao aperfeiçoamento. Acontecimentos aleatórios seguem uma frequência própria, dando origem á um ritmo excêntrico ao qual o bem e o mal sempre retornam em duplicidade àqueles que os executam. Em uma coreografia voltada a excelência, pequenas falhas são apenas lições para uma evolução com tempo incerto para expirar. Sorrisos e lágrimas concretizam a todo instante o pulsar das emoções, intensas demais para se manterem presas entre corpos biológicos. E ao redor de tantos movimentos, voltas e passos, um cenário deslumbrante, milimetricamente desenhado em contornos surreais, abraça o que chamamos imperatoriamente de lar. Inovações, saltos e cores dão sequência à grandiosa dança que apesar de improvável, segue seu curso em direção a única certeza adiante, a de um grand finale. À medida que os refletores se posicionam e os artistas se preparam para o último movimento, eis que tudo se torna estático, e após alguns insólitos segundos, tudo se recomeça, fazendo com que a vida se torne a única apresentação magnífica onde cada fim é apenas um novo começo...

Paullo Lenore.