quinta-feira, 29 de novembro de 2012

360


Paredes se fecham à medida que a insanidade ergue-se em longos pilares de incoerência. O que antes chamavam de evolução, torna-se apenas algo previsivelmente leviano. Como se o grande impacto do moderno se reduzisse a um simples revés. Grandes heróis se prendem às armadilhas do esquecimento e aos poucos vão sendo representados por personalidades de plástico. A ausência do sentir justifica o vazio não preenchido por lágrimas, antes abundantes, agora substituídas por um vácuo materialista. Hoje tudo tem seu valor, porém em uma lógica destituída de valores. O sagrado se mistura ao grotesco, à medida que o fanatismo de alguns se sobrepõe até mesmo às leis da metafísica. E por fim, o caos da estupidez se espalha em uma pandemia desenfreada, infectando mentes que por transbordarem informações, acabam encontrando-se vazias. Resta apenas o amargo sabor da realidade, onde a inépcia chega ao ponto de se confundir a liberdade, expressando-se em ínfimos cinquenta tons do ridículo. Porém, visto que a verdade encontra-se atualmente disfarçada em néon, cabe a mim apenas saborear a incerteza do amanhã, arranhando com voracidade, a utopia de um dia entender o mundo em sua patética desordem.

Paullo Lenore.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Máscaras


Cortinas se abrem lentamente à medida que silhuetas surgem em fluxos aleatórios. Caminhos opostos, renúncias desiguais, rostos que se perdem em uma profusão de anonimato. Como em um baile de máscaras, o visível é apenas uma superfície opaca e ilusória, onde o que se vê é apenas um disfarce para o que realmente se mantém oculto. A mente por si só constrói labirintos, inexoravelmente complexos e profundos com barreiras impenetráveis, altas demais para serem expostas em apenas cinco sentidos. Somos por essência, partes de um infinito destituído de qualquer lógica, entregues ao nosso próprio subconsciente e presos á uma órbita incompatível à razão. Assim como personalidades são desiguais, sentimentos se diferem em intensidade, portanto jamais haverá interpretação plausível à força de um olhar.  Incertos de nossas próprias capacidades, nos tornamos inviáveis para julgar o que não conhecemos, pois se o fizermos, estaremos renunciando o direito de possuir nossa própria identidade incompreendida. Faces são apenas máscaras, irregulares, imprevisíveis e descartáveis. Corpos são apenas reflexos do supérfluo, vulneráveis aos movimentos assimétricos do acaso. Não cabe a ninguém determinar fatos por aparências, visto que além do visível, há apenas a eterna ausência de precisão em discernir o verdadeiro dentre as intermináveis incógnitas do desconhecido.

Paullo Lenore.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

8 ou 80


Como traços abstratos, desenhados sob a superfície fria de um muro de concreto, deixo-me levar entre cores neutras, na esperança de que meu vazio seja preenchido com o ácido sabor do desconhecido. Cansado de procurar razões, abandonei filosofias e vícios no intuito de apenas permitir-me ser. Cansado de procurar respostas em biografias alteradas, fui aos poucos derrotando meus heróis. Exausto em tentar disfarçar minha personalidade com frases feitas, estou aprendendo a ser verdadeiro na intensidade do meu olhar. Após ser derrotado diversas vezes pela fria realidade, levanto uma bandeira branca! Não mais criarei mundos aleatórios, pois na verdade minha tentativa de isolamento era inútil, visto que, jamais conseguirei esconder-me de mim mesmo. Quando tudo parece pequeno e o pouco se torna sem sentido é mais fácil caminhar, andando sem rumo e solitário até reencontrar em si mesmo a força necessária para se sentir bem sem intervenções. Sei que nada jamais será o suficiente, assim como sei que o vazio sempre estará ao lado, mas a vontade de experimentar, criar e sentir são acima de tudo motivos reais para seguir em frente. Para não correr o risco de andar por caminhos errôneos, prefiro andar sem direções; se eu me perder, pelo menos saberei que estou seguindo em frente e não parado esperando encontrar um caminho certo a seguir.

Paullo Lenore.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Phoenix


Pudera a vida ser desigual como as nuvens. Talvez assim, eu pudesse me perder entre formas desconexas deixando-me levar pelo doce sabor do imprevisível. Por tentar entender, deparei-me com o inexplicável. Respostas apenas elevavam novas paredes de um labirinto sem saída. Perguntas surgiam como enigmas cada vez mais complexos e frios; por não encontrar uma forma lógica para decodificá-los, criei em mim mesmo meu próprio Vietnã. Declarei guerra á minha própria decadência e usei todas as minhas armas para lutar contra o caos causado pelas consequências. Após tortuosos confrontos, aparentemente sem fim, encontrei na simplicidade do amor uma fonte interminável de munição. Reduzindo ao pó toda negatividade, consegui visualizar melhor o meu redor, enxergando pela primeira vez o que antes pela ignorância eu era cego. Entre destroços e ruínas vi florescerem rosas cálidas; antes banhadas ao fogo, agora renascidas das cinzas em brotos de esperança.  Nuvens negras, que contornavam o horizonte sucumbiram ao calor estonteante da liberdade. O vento suavemente contornou um sólido recomeço e a percepção de poder tentar de novo tornou-se suficiente para justificar todos os esforços da batalha. Enfim, pude compreender que apenas pelo amor a dor se transforma em reinvenção, e como uma fênix ressurge das cinzas, é da decadência de perspectivas que renasce o imaculado brilho de um amanhã.

Paullo Lenore.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Frozen (Slide show)

Com carinho criei este slide show com o mensagem de meu último post: Frozen, espero que apreciem...



Paullo Lenore.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Frozen


Sob o frio da indiferença, permiti-me congelar em vulnerabilidade. Entreguei-me inteiramente à esperança, porém perdi-me no horizonte vago das circunstâncias. Meu sentimento puro pareceu sucumbir à densidade de minhas ilusões e tudo o que antes eu rotulava como válido foi reduzido ao simples moldar de uma mentira. Com o torturar do tempo pude perceber a doce vingança de um livre-arbítrio, antes por mim consagrado, mas que agora asfixia todos os esforços de um sentimento não retribuído. Pudera eu entender a capacidade humana de se render ao vazio aniquilando com insensatez, todas as escolhas que poderiam pela simplicidade fazer a diferença. Quisera eu acreditar que existem coincidências, porém vejo que na verdade elas são apenas miragens de algo supostamente desejado e refletido pelo acaso. O impossível só acontece quando o fazemos acontecer, em uma condição imutável, sendo que o possível é apenas algo contraditório e pouco duradouro. Eu poderia me entregar ao arrependimento e desejar que fatos jamais tivessem acontecido, porém prendo-me a decepção e dela extraio toda essência, até que por experiência própria ela se torne algo premeditado que nunca poderá se repetir. Entre o torpor de uma realidade hipócrita, quero manter-me sóbrio para testar com convicção os limites de minha perseverança, deixando apenas minha impotência se embriagar em covardia. Prefiro anestesiar minha imunidade a me prender a ilusão de ser inalcançável, reconheço-me fraco, porém por este reconhecimento me torno capaz de resistir a todas as adversidades que outrora puderam me atingir preenchendo minha mente com insignificância. Minha consciência não é um reflexo do meu ego; minha personalidade não me permite ser julgado; minha mente não comanda todos meus atos, mas apenas meus sonhos podem dizer exatamente quem eu sou.

Paullo Lenore.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Enigma


Pensamentos paralelos constituem em minha mente um cenário paradisíaco. Lembranças lutam de maneira caótica por uma perspectiva real, ignorando o fato de serem apenas momentos entregues ao acaso. Tentando arduamente representar imagens à velocidade de minha imaginação, o tempo se torna um ávido ladrão de matizes. Em leves segundos, os minutos criam forma, ameaçando-me com o inevitável surgir das horas. Com lágrimas a óleo, consigo criar um contraste incisivo a alegres tons de luz, como se fosse possível tornar a dor consequente ao êxtase. Com leves traços abstratos, tento disfarçar decepções sob uma imensidão de formas puras em saudade. Entre significados ocultos em formas, a realidade é deixada a um plano sem contornos, por trás de uma profusão de imagens multicores. Retoques finais dão origem a um novo conjunto de idéias, porém já se esgotaram os espaços. Com um olhar crítico, faço uma análise detalhada de minha criação e eis que me surpreendo por ter representado com fidelidade aquilo que antes parecia confuso e indescritível. Vejo momentos aparentemente eternos desfeitos em linhas de expressão. Vejo marcas de um passado remoto repleto de alegrias e traumas. Vejo nostalgia, sonhos, alegria e poder misturados em constantes pinceladas de melancolia. Vejo o passado e o presente se unirem formando um futuro ameaçador, porém ao mesmo tempo confortante. Por fim, vejo um brilho peculiar de esperança e de repente me reconheço... no inquietante olhar de meu autorretrato.

Paullo Lenore.

Leia também: Febre