segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Enigma


Pensamentos paralelos constituem em minha mente um cenário paradisíaco. Lembranças lutam de maneira caótica por uma perspectiva real, ignorando o fato de serem apenas momentos entregues ao acaso. Tentando arduamente representar imagens à velocidade de minha imaginação, o tempo se torna um ávido ladrão de matizes. Em leves segundos, os minutos criam forma, ameaçando-me com o inevitável surgir das horas. Com lágrimas a óleo, consigo criar um contraste incisivo a alegres tons de luz, como se fosse possível tornar a dor consequente ao êxtase. Com leves traços abstratos, tento disfarçar decepções sob uma imensidão de formas puras em saudade. Entre significados ocultos em formas, a realidade é deixada a um plano sem contornos, por trás de uma profusão de imagens multicores. Retoques finais dão origem a um novo conjunto de idéias, porém já se esgotaram os espaços. Com um olhar crítico, faço uma análise detalhada de minha criação e eis que me surpreendo por ter representado com fidelidade aquilo que antes parecia confuso e indescritível. Vejo momentos aparentemente eternos desfeitos em linhas de expressão. Vejo marcas de um passado remoto repleto de alegrias e traumas. Vejo nostalgia, sonhos, alegria e poder misturados em constantes pinceladas de melancolia. Vejo o passado e o presente se unirem formando um futuro ameaçador, porém ao mesmo tempo confortante. Por fim, vejo um brilho peculiar de esperança e de repente me reconheço... no inquietante olhar de meu autorretrato.

Paullo Lenore.

Leia também: Febre