segunda-feira, 14 de maio de 2012

Phoenix


Pudera a vida ser desigual como as nuvens. Talvez assim, eu pudesse me perder entre formas desconexas deixando-me levar pelo doce sabor do imprevisível. Por tentar entender, deparei-me com o inexplicável. Respostas apenas elevavam novas paredes de um labirinto sem saída. Perguntas surgiam como enigmas cada vez mais complexos e frios; por não encontrar uma forma lógica para decodificá-los, criei em mim mesmo meu próprio Vietnã. Declarei guerra á minha própria decadência e usei todas as minhas armas para lutar contra o caos causado pelas consequências. Após tortuosos confrontos, aparentemente sem fim, encontrei na simplicidade do amor uma fonte interminável de munição. Reduzindo ao pó toda negatividade, consegui visualizar melhor o meu redor, enxergando pela primeira vez o que antes pela ignorância eu era cego. Entre destroços e ruínas vi florescerem rosas cálidas; antes banhadas ao fogo, agora renascidas das cinzas em brotos de esperança.  Nuvens negras, que contornavam o horizonte sucumbiram ao calor estonteante da liberdade. O vento suavemente contornou um sólido recomeço e a percepção de poder tentar de novo tornou-se suficiente para justificar todos os esforços da batalha. Enfim, pude compreender que apenas pelo amor a dor se transforma em reinvenção, e como uma fênix ressurge das cinzas, é da decadência de perspectivas que renasce o imaculado brilho de um amanhã.

Paullo Lenore.