segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Máscaras


Cortinas se abrem lentamente à medida que silhuetas surgem em fluxos aleatórios. Caminhos opostos, renúncias desiguais, rostos que se perdem em uma profusão de anonimato. Como em um baile de máscaras, o visível é apenas uma superfície opaca e ilusória, onde o que se vê é apenas um disfarce para o que realmente se mantém oculto. A mente por si só constrói labirintos, inexoravelmente complexos e profundos com barreiras impenetráveis, altas demais para serem expostas em apenas cinco sentidos. Somos por essência, partes de um infinito destituído de qualquer lógica, entregues ao nosso próprio subconsciente e presos á uma órbita incompatível à razão. Assim como personalidades são desiguais, sentimentos se diferem em intensidade, portanto jamais haverá interpretação plausível à força de um olhar.  Incertos de nossas próprias capacidades, nos tornamos inviáveis para julgar o que não conhecemos, pois se o fizermos, estaremos renunciando o direito de possuir nossa própria identidade incompreendida. Faces são apenas máscaras, irregulares, imprevisíveis e descartáveis. Corpos são apenas reflexos do supérfluo, vulneráveis aos movimentos assimétricos do acaso. Não cabe a ninguém determinar fatos por aparências, visto que além do visível, há apenas a eterna ausência de precisão em discernir o verdadeiro dentre as intermináveis incógnitas do desconhecido.

Paullo Lenore.