quinta-feira, 29 de novembro de 2012

360


Paredes se fecham à medida que a insanidade ergue-se em longos pilares de incoerência. O que antes chamavam de evolução, torna-se apenas algo previsivelmente leviano. Como se o grande impacto do moderno se reduzisse a um simples revés. Grandes heróis se prendem às armadilhas do esquecimento e aos poucos vão sendo representados por personalidades de plástico. A ausência do sentir justifica o vazio não preenchido por lágrimas, antes abundantes, agora substituídas por um vácuo materialista. Hoje tudo tem seu valor, porém em uma lógica destituída de valores. O sagrado se mistura ao grotesco, à medida que o fanatismo de alguns se sobrepõe até mesmo às leis da metafísica. E por fim, o caos da estupidez se espalha em uma pandemia desenfreada, infectando mentes que por transbordarem informações, acabam encontrando-se vazias. Resta apenas o amargo sabor da realidade, onde a inépcia chega ao ponto de se confundir a liberdade, expressando-se em ínfimos cinquenta tons do ridículo. Porém, visto que a verdade encontra-se atualmente disfarçada em néon, cabe a mim apenas saborear a incerteza do amanhã, arranhando com voracidade, a utopia de um dia entender o mundo em sua patética desordem.

Paullo Lenore.