segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Eros


Na tentativa de conter as ruínas de minha sanidade, aprecio o amargo sabor do meu cálice de inquietude, resguardando-me de utopias, porém distante de ceder à covardia de não acreditar em possibilidades. Como uma voz suspensa em um sonho, ouço repetidamente os ecos de meus próprios versos, tão verossímeis quanto minha vontade de desfrutar ao menos uma vez o amor fora das entrelinhas. Longe de comparações supérfluas, minha complexa personalidade parece sucumbir ao simples pensamento de poder expressar, distante de palavras, o meu exíguo ser ansioso por ternura. Se a mim foi dado o insólito poder de cuidar, que seja meu por direito aquilo que realmente for merecedor de meu insaciável afeto. Distante de livros, filmes e vãs histórias, que meu carinho possa encontrar alívio sobre a presença de uma companhia receptiva ao meu verdadeiro poder de amar incondicionalmente. O tempo não desfaz esperanças, apenas apaga de nossas vidas aquilo que realmente não cultivamos com intensidade. Sendo assim, tendo como ponto primordial ser feliz apesar das adversidades, creio que meu desejo em cativar seja eterno, visto que minha solidão e o passar dos anos se mostraram apenas grãos de areia em um oceano de expectativas. Com as incertezas do amanhã, o agora se concretiza no meu doce devaneio de poder viver tudo aquilo que sinto e que em meu peito transborda, sentindo na espera cruéis espinhos, porém sem nunca parar de apreciar a esperança no terno aroma das rosas.

Paullo Lenore.

15 comentários:

  1. Paullo, tu escreves muito bem. Talento não te falta.
    Um abraço. Tenhas uma ótima semana.

    ResponderExcluir
  2. Mais un lindo e perfeito texto, nobre amigo Paullo.
    Uma fantástica expessividades de sentido/sentimento!
    Grande abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pelo apoio contínuo Jorge, é um prazer tê-lo como leitor...

      Excluir
  3. ah esse tao comentado sentimento q se chama amor,q enlouquece os homens .alivia o peito,enobrece a alma,alimenta a vida,pq nao senti lo c tanta veracidade.desejo? e c pequenos graos de areia formamos um vasto terreno onde de pequenas emocoes vividas pode se brotar um oasis ,um paraiso de eterna paixao!!
    eduardo barrioni

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  5. Minha crítica: UTÓPICO, DUAL, UM SER QUE POR ESSENCIA TEM DESVANEIOS DE INQUIETUDE E SOLIDÃO, MAS AO MESMO TEMPO COGITA NAS MARGENS DA FELICIDADE, UM BARCO PARA ADENTRAR. RASGA O VÉU DA DUREZA E PALPITA NA EMOÇÃO DE UM SENTIMENTO incondicional QUE ESTÁ ALÉM DAS MÃOS HUMANAS, EXTRAPÕE O CIÚME, A RAIVA, EXTRAPÕE ATÉ O PRÓPRIO AMOR MORTAL QUE SENTIMOS.
    By Anderson Robatini Tomé

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pela brilhante análise Anderson, fiquei realmente muito grato pois é exatamente o que eu tentei retratar através deste texto.

      Excluir
  6. Querido Paulo, belíssima forma de se dizer apaixonado incondicionalmente...
    Você é brilhante!

    Beijos....beijos....

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Elza,pelo apoio constante...

      Excluir
  7. Acho que eu fiquei triste. Mas uma tristeza tão boa de ler uma coisa que compreende a gente tão bem, que acabei ficando feliz.

    ResponderExcluir