terça-feira, 23 de julho de 2013

Rivière

Pudera eu ser como um rio e entregar-me a jornada inquietante de seguir sempre em frente, sem destino, sem medos, sem bagagem. Consciente de meus limites, porém indiferente às margens que limitam meu desejo interminável de descobrir. Solto entre curvas, pedras e sentimentos, flutuaria sobre o doce sussurrar das águas; sentindo o vento carregar lentamente todas as lembranças fúteis de uma liberdade equivocada. Sentiria o amor se espalhar de forma gratuita através da própria solidão do existir, preenchendo todo e qualquer vazio com gotas de um implacável fluxo de redenção. Muitas direções, muitos obstáculos, internamente apenas a paz. A paz em seguir, a paz em sentir, a paz em não dizer. Entre inevitáveis curvas, presenciaria a derrota da melancolia, cujos restos seriam perdidos na turbulência do imprevisível fluir da vida. Nada a se esperar, porém tudo a acontecer, constantemente, naturalmente, como sempre imaginei, porém contrário a qualquer expectativa. Na ausência de preocupações, a tranqüilidade, que jamais foi inexistente, elevar-se-ia a superfície tornando todas as tempestades apenas alimento para evolução das nascentes. Seguindo suavemente o declive de meus pensamentos, supriria a calmaria de meus sentidos com afluentes de sensações, incansavelmente, livremente, perdido no meu próprio silêncio. Até que por fim, o completo seria apenas o começo, a calma seria apenas o estopim da euforia, as margens seriam insuficientes para conter a abundância e o meu eu seria apenas o início de um interminável oceano...



Paullo Lenore.

12 comentários:

  1. Um lindo texto onde se vislumbra uma vida de Paz e Felicidades.
    Gostei muito!...
    Um abraço,
    Élys.

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    1. Fico feliz por ter gostado Élys, obrigado pela presença!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Sem palavras!!!
    Mais uma vez, e não me cansarei de dizer, você é um GRANDE POETA!
    Tem minha admiração incondicional.
    Parabéns, mais uma vez.

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    1. Obrigado Anderson, é um prazer imenso ler teus comentários!

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  4. Uma imensa tranquilidade ao ler este texto. Voce, como sempre, tocando no mais intimo do ser, serenando qualquer sombra de sentimentos inquietantes.
    Amei!!!
    Bjs... :-)

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    1. Obrigado por ter se permitido navegar pelas mesmas águas, abraço!

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  5. Olá Paulo,

    Maravilha de texto. A paz realmente não tem limites.

    Um beijo

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  6. Olá, como estás?

    Não sei se te recorda de mim, sou a autora do blogue "Não procurei pelos teus olhos", pus esse blogue privado pois faz parte do passado e criei agora um novo, ei-lo:

    http://odesassossegodosilencio.blogspot.pt/

    Quando puderes, e se quiseres, visite. és muito bem-vindo.

    Andei afastada deste mundo mas agora pretendo voltar e começar de novo a entrar no ritmo dos blogues, lendo as novidades, comentando e etc. :)

    Beijo

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  7. Belo trabalho, belos escritos, parabéns pelo Blog...

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