segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Eros


Na tentativa de conter as ruínas de minha sanidade, aprecio o amargo sabor do meu cálice de inquietude, resguardando-me de utopias, porém distante de ceder à covardia de não acreditar em possibilidades. Como uma voz suspensa em um sonho, ouço repetidamente os ecos de meus próprios versos, tão verossímeis quanto minha vontade de desfrutar ao menos uma vez o amor fora das entrelinhas. Longe de comparações supérfluas, minha complexa personalidade parece sucumbir ao simples pensamento de poder expressar, distante de palavras, o meu exíguo ser ansioso por ternura. Se a mim foi dado o insólito poder de cuidar, que seja meu por direito aquilo que realmente for merecedor de meu insaciável afeto. Distante de livros, filmes e vãs histórias, que meu carinho possa encontrar alívio sobre a presença de uma companhia receptiva ao meu verdadeiro poder de amar incondicionalmente. O tempo não desfaz esperanças, apenas apaga de nossas vidas aquilo que realmente não cultivamos com intensidade. Sendo assim, tendo como ponto primordial ser feliz apesar das adversidades, creio que meu desejo em cativar seja eterno, visto que minha solidão e o passar dos anos se mostraram apenas grãos de areia em um oceano de expectativas. Com as incertezas do amanhã, o agora se concretiza no meu doce devaneio de poder viver tudo aquilo que sinto e que em meu peito transborda, sentindo na espera cruéis espinhos, porém sem nunca parar de apreciar a esperança no terno aroma das rosas.

Paullo Lenore.